Não estamos falando daquele riso amarelo em uma reunião ou de alguns minutos distraídos rolando o feed do celular. Estamos falando de diversão de verdade.
Difícil responder? Talvez isso diga mais sobre a vida adulta do que gostaríamos de admitir.
Durante anos, fomos ensinados que crescer significava ser sério. Trabalhar mais. Produzir mais. Planejar mais. Otimizar mais. Assim, a vida virou uma sequência de metas, notificações, compromissos e cobranças.
E talvez seja justamente por isso que um movimento chamado funmaxxing esteja ganhando força.
O que é funmaxxing?
O termo nasceu na internet e significa algo simples: maximizar a diversão. Mas sua proposta vai além de buscar entretenimento.
O funmaxxing questiona uma lógica que transformou tudo em desempenho. E faz isso a partir de uma pergunta simples: “E se nem tudo precisasse ter uma utilidade? E se algumas experiências pudessem existir apenas porque são divertidas? ”
Talvez a pergunta pareça exagerada. Mas basta observar o comportamento das novas gerações. Cresce o interesse por hobbies criativos, jogos de tabuleiro, encontros temáticos, clubes presenciais, oficinas artísticas e experiências imersivas… atividades que, até pouco tempo atrás, eram vistas como “coisa de criança”.
Não por acaso, uma das comunidades que melhor representa esse movimento chama-se GrownKid. O nome significa algo próximo de “criança crescida” e sua proposta é tão simples quanto provocativa: trazer de volta para a vida adulta elementos como brincadeira, curiosidade, criatividade e diversão.
Em vez de incentivar as pessoas a trabalharem mais ou performarem melhor, o GrownKid incentiva seus participantes a viverem experiências mais interessantes.
A força desse movimento mostra que muitas pessoas não estão procurando apenas entretenimento. Estão procurando conexão, histórias, pertencimento e surpresa… Em outras palavras: estão procurando sentir-se mais humanas.
E o que isso tem a ver com publicidade?
Literalmente tudo.
A publicidade sempre foi um reflexo da cultura e durante décadas, as marcas venderam performance sob um discurso baseado em melhoria contínua. Até que a cultura mudou e, como consequência, mudou também a forma de comunicar.
Prova disso é o número crescente de marcas que passam a mudar suas abordagens diariamente, investindo cada vez mais em personagens recorrentes, narrativas seriadas, memes, ativações urbanas, experiências imersivas e conteúdo que parecem feitos para divertir antes de vender.
A Duolingo, por exemplo, transformou sua coruja mascote em uma personagem caótica das redes sociais, criando conteúdos que muitas vezes parecem mais entretenimento do que propaganda. A Ryanair também ganhou milhões de visualizações ao fazer humor com seus próprios defeitos e com situações do dia a dia dos passageiros.
No Brasil, marcas como Nubank e iFood também exploram uma comunicação mais leve, próxima da linguagem da internet e do entretenimento. Em comum, todas elas entenderam que, em um ambiente saturado de anúncios, ser interessante pode ser tão importante quanto ser relevante.
Assim, o produto continua existindo, mas deixa de ser o protagonista da conversa para dar lugar à experiência.
Talvez a grande tendência não seja o funmaxxing
O sucesso de movimentos como o GrownKid mostra que existe uma demanda crescente por leveza, criatividade, pertencimento e experiências memoráveis. E isso não é apenas uma tendência comportamental. É um sinal cultural.
Porque, no fundo, depois de anos tentando otimizar tudo, muita gente está começando a sentir falta de algo simples: Se divertir.
Em um mundo onde todos disputam atenção, talvez as marcas mais relevantes do futuro sejam aquelas que conseguem devolver às pessoas algo que anda em falta: o prazer de viver experiências que valem a pena serem lembradas.