Em 2020, a Casas Bahia apresentou ao mercado um processo de rebranding que marcou uma nova fase da empresa.
Entre as mudanças, uma das mais comentadas foi a transformação do Baianinho, personagem histórico da marca desde os anos 70, em uma figura mais “moderna”, digital e alinhada às tendências de comunicação da época.
O personagem deixou de lado suas características tradicionais, passou a ser chamado apenas de “CB” e assumiu uma postura de influencer digital. A mudança dividiu opiniões e gerou fortes críticas nas redes sociais, principalmente pela sensação de distanciamento da essência popular que sempre marcou a identidade da marca.
Agora, anos depois, a Casas Bahia volta a utilizar o Baianinho em sua forma original em campanhas de festas juninas, apostando justamente no resgate da memória afetiva, da cultura popular e da conexão emocional com o público.
E essa movimentação traz uma reflexão importante para qualquer marca.
Nem toda modernização fortalece uma marca
Existe uma diferença muito grande entre evoluir e descaracterizar.
Nos últimos anos, muitas marcas passaram a buscar uma estética mais minimalista, genérica e digitalizada. Logotipos simplificados, linguagens genéricas e posicionamentos quase idênticos se tornaram comuns em diversos segmentos.
O problema é que, em muitos casos, essa busca por parecer contemporâneo e “minimalista” acabou apagando elementos que tornavam aquelas marcas únicas.
Uma marca forte não é construída apenas com design bonito ou comunicação atualizada. Ela é construída com reconhecimento. Com símbolos. Com memória. Com familiaridade. E principalmente, com aquilo que faz o público identificar instantaneamente quem está falando.
O valor da conexão emocional
O Baianinho nunca foi apenas um mascote. Pelo contrário, ele carregava uma representação cultural importante dentro da trajetória da Casas Bahia. Sua presença fazia parte da memória coletiva de milhões de brasileiros.
Quando esse tipo de elemento desaparece de forma brusca, a marca pode até ganhar uma aparência mais moderna, mas também corre o risco de perder parte da sua personalidade.
E personalidade é justamente o que diferencia marcas memoráveis de marcas genéricas.
Hoje, em um cenário onde quase tudo parece visualmente parecido, marcas com identidade forte se tornam ainda mais valiosas.
Modernizar sem apagar a essência
Isso não significa que marcas não devam evoluir. Na verdade, toda marca precisa acompanhar mudanças de comportamento, consumo e linguagem.
Mas evolução não precisa significar ruptura.
As marcas mais fortes conseguem atualizar sua comunicação preservando aquilo que criou conexão com o público ao longo do tempo. Elas entendem que tradição e contemporaneidade não precisam disputar espaço, mas podem coexistir.
O que sua marca pode aprender com isso?
Antes de mudar completamente sua identidade, vale refletir:
O que realmente precisa evoluir?
O que faz sua marca ser reconhecida?
Quais elementos possuem valor emocional para o seu público?
Sua comunicação está evoluindo ou apenas seguindo tendências? Porque, no fim, marcas fortes não são aquelas que parecem iguais às outras. São aquelas que conseguem permanecer relevantes sem deixar de ser quem são.