A criatividade se tornou assunto de CEOs, investidores e gigantes da tecnologia no Cannes Lions 2026

Durante muito tempo, falar sobre o Festival Internacional de Criatividade de Cannes era falar sobre publicidade. O evento reunia agências, diretores de criação e grandes campanhas que disputavam reconhecimento pela excelência na comunicação.

Embora a criatividade continue sendo o centro do festival, o perfil de quem ocupa os auditórios e participa das principais discussões revela uma transformação importante. Ao lado de criativos e profissionais de marketing estão CEOs, investidores, consultorias estratégicas, empresas de tecnologia, plataformas digitais e lideranças globais de negócios.

Essa mudança não aconteceu por acaso: ela reflete uma nova compreensão do papel da criatividade dentro das organizações: deixou de ser apenas um recurso para comunicar melhor e passou a ser um dos principais motores de crescimento, inovação e diferenciação competitiva.

A criatividade deixou o departamento de marketing

Durante muitos anos, a criatividade era acionada quando o produto já estava pronto. Primeiro vinham o desenvolvimento, a operação e as vendas. Depois, surgia a campanha para comunicar tudo isso ao mercado.

Hoje, o processo funciona de forma diferente: a criatividade participa da construção do próprio negócio. Ela influencia o desenvolvimento de produtos, a experiência do consumidor, os modelos de serviço, a jornada digital, a cultura organizacional e até a maneira como uma empresa se posiciona diante de transformações sociais e tecnológicas.

É justamente essa mudança que explica por que Cannes deixou de ser apenas um festival de publicidade para se tornar um dos principais pontos de encontro de quem pensa o futuro dos negócios.

A tecnologia acelerou a execução, mas a criatividade continua definindo a direção

Vivemos uma época em que ferramentas de inteligência artificial, automação e análise de dados democratizaram processos que antes eram exclusivos de grandes empresas. Hoje, praticamente qualquer organização consegue produzir conteúdo, automatizar campanhas, gerar imagens ou criar apresentações em poucos minutos.

Mas existe uma diferença importante entre produzir e construir valor: a tecnologia tornou a execução mais rápida, o pensamento estratégico continua sendo humano.

A pergunta deixou de ser “como produzir?” e passou a ser “o que merece ser produzido?”.

Cannes mostra que criatividade gera vantagem competitiva

Existe uma percepção equivocada de que criatividade serve apenas para criar campanhas memoráveis. Mas na prática, ela tem um impacto muito maior.

Uma ideia bem construída pode criar uma nova categoria de mercado, mudar a percepção sobre um produto, aumentar o valor percebido de uma marca, abrir novos segmentos ou redefinir completamente a experiência do consumidor.

Em outras palavras, criatividade gera diferenciação… e diferenciação continua sendo um dos ativos mais valiosos para qualquer empresa. E é exatamente por isso que líderes e investidores fazem questão de estar em Cannes: porque entender o futuro da criatividade é, cada vez mais, entender o futuro dos negócios.

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